Ibovespa 2026, por que a Faria Lima aposta em nova onda de alta com cortes de juros, entrada de estrangeiros e quais riscos Trump e eleições trazem

Expectativa de corte da Selic e do Fed, maior entrada de capital estrangeiro e a busca por mercados emergentes explicam o otimismo com o Ibovespa, ao mesmo tempo em que ampliam a volatilidade e os riscos

O Ibovespa iniciou 2026 em forte aceleração, renovou máximas e já mostra ganhos relevantes no ano, com investidores apontando para um cenário favorável às ações.

Analistas da Faria Lima destacam cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos e a rotação global para emergentes como vetores centrais para a continuidade da alta do índice.

As análises e dados citados a seguir seguem, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que juros em queda impulsionam o Ibovespa

A projeção do mercado financeiro é que a Selic caia 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, passando de 15% para 12,25% ao ano, movimento que tende a elevar a atratividade de ativos de risco.

No caso dos EUA, o Federal Reserve, banco central dos EUA, cortou a taxa três vezes em 2025, reduzindo o referencial à faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o que também favorece a migração de capitais para mercados emergentes.

“Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”, diz André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, destacando a relação direta entre redução de juros e valorização do Ibovespa.

Entrada de estrangeiros e números recentes

O fluxo de investidores não residentes tem sido determinante para a alta local, com compras líquidas que ajudaram a sustentar o movimento de valorização do índice.

Em 2025, investidores não residentes no Brasil aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa de valores brasileira, e, em 2026, até 20 de janeiro, esses investidores já somam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras, segundo levantamento citado.

O Ibovespa, que disparou quase 34% em 2025, renovou recordes em janeiro e, em 27 de janeiro, alcançou 181.919 pontos pela primeira vez, com valorização de quase 13% no ano e alta de 45% em 12 meses.

Riscos que podem frustrar o cenário positivo

Apesar do otimismo, a palavra de ordem para 2026 é volatilidade, com fatores externos e o calendário eleitoral no Brasil como fontes de maior oscilação.

“Tudo isso pode afetar o ambiente de negócios e trazer problemas para algumas companhias. Esse é o outro lado da balança, com potencial de impacto negativo”, alerta André Galhardo.

Especialistas também citam a imprevisibilidade de Donald Trump, cujas ofensivas geopolíticas pressionam mercados desenvolvidos e podem gerar efeitos de segunda ordem sobre commodities e inflação global.

Na avaliação de Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, “Os resultados das grandes empresas podem desacelerar, deixando o mercado dependente das expectativas em relação às empresas de tecnologia”, o que aumentaria a sensibilidade do Ibovespa a dados macro e resultados corporativos.

Além disso, riscos fiscais no Brasil permanecem relevantes, como lembra Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, ao apontar que “alguns países tiveram resultados muito melhores do que o Brasil, como Polônia, Coreia do Sul e a própria Colômbia”, sublinhando desafios relativos às contas públicas brasileiras.

Projeções e até onde o Ibovespa pode chegar

Se o cenário favorável prevalecer, analistas mais otimistas não descartam a possibilidade de o índice ultrapassar os 200 mil pontos, embora as estimativas variem entre casas e cenários.

Por exemplo, o Itaú BBA projeta fechamento do ano em cerca de 185 mil pontos, enquanto leituras mais otimistas colocam o índice acima de 252 mil pontos. A Santander Corretora estima 195 mil pontos ao fim de 2026, com sucessivas renovações de recordes ao longo do ano.

Os especialistas ponderam que a trajetória não deve ser linear, com episódios de correção ligados a eventos políticos e choques externos, mesmo com fundamentos que sustentam a continuidade da alta do Ibovespa.