Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro, maior nível desde 2017, com juros elevados, queda de concessões e spread em alta, alerta cenário de crédito
Selic em 15% ao ano e juros bancários em 47,8% pressionam a inadimplência e reduzem ofertas de crédito, com estoque recuando para R$ 7,116 trilhões
A alta da inadimplência voltou a ganhar tração no início de 2026, em um cenário de juros ainda muito elevados e menor oferta de crédito.
Consumidores e empresas enfrentam taxas mais altas e bancos reduziram a concessão de empréstimos, o que amplia o custo do crédito e aperta famílias e empresas.
Os dados oficiais mostram avanço no índice de atraso e recuo no volume de operações, conforme informação divulgada pelo g1
Dados do Banco Central e leitura do indicador
A inadimplência de consumidores e empresas em empréstimos com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior nível desde agosto de 2017, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (25). Em dezembro, o índice estava em 5,4%.
Na comparação em 12 meses, a alta foi de 1,1 ponto percentual, em um contexto de juros ainda elevados, a taxa básica Selic está atualmente em 15% ao ano.
Queda nas concessões e impacto no estoque de crédito
A concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro na comparação com dezembro. Com isso, o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.
Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, enquanto nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi mais intensa, de 32,9%.
Juros, spread e o custo do crédito
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto no período.
O chamado spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, também aumentou, chegando a 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro.
O que muda para consumidores e empresas
Com a combinação de juros altos e menor oferta de crédito, famílias e empresas tendem a ter acesso mais restrito a empréstimos, e o custo das parcelas sobe, o que pode alimentar novas altas na inadimplência se a atividade econômica não melhorar.
O Banco Central manteve os juros no patamar elevado, mas sinalizou que pode começar a reduzir a Selic em breve, diante de sinais de desaceleração da economia, o que será observado por agentes e tomadores de crédito nas próximas rodadas de dados.