Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro, maior nível desde 2017, com Selic a 15% e concessões em queda, veja impactos para famílias e empresas
Inadimplência atinge 5,5% em janeiro, estoque de crédito recua para R$ 7,116 trilhões, concessões caem 18,9% e spread sobe a 34,3 pontos percentuais, entenda os números
A taxa de inadimplência em empréstimos com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
A alta ocorre em um contexto de juros ainda elevados, com a taxa básica de juros, Selic, em 15% ao ano, e crédito mais caro nas instituições financeiras.
Os números e explicações constam em relatório e em dados oficiais, conforme informação divulgada pelo g1
Dados principais divulgados pelo Banco Central
Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a inadimplência foi de 5,5% em janeiro, ante 5,4% em dezembro, e avançou 1,1 ponto percentual na comparação em 12 meses.
O estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões. As concessões de empréstimos caíram 18,9% em janeiro frente a dezembro.
Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, e nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi de 32,9%.
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto.
O spread bancário nas operações com recursos livres aumentou para 34,3 pontos percentuais, ante 33,0 pontos em dezembro.
Por que a inadimplência subiu
O Banco Central indicou que parte do aumento ao longo de 2025 se relaciona a mudanças nas regras de classificação de crédito, e afirmou já observar “alguns sinais de estabilização” do indicador.
Além disso, juros mais altos impactam o custo do crédito, e a combinação de maior taxa média cobrada pelos bancos e queda nas concessões tende a pressionar pagamentos, elevando a inadimplência.
Impactos para consumidores e empresas
Com a Selic a 15% ao ano e juros médios elevados, famílias e empresas enfrentam parcelas maiores e custo de rolagem mais caro, o que pode reduzir consumo e investimento.
O aumento do spread torna o crédito final ainda mais custoso, e a retração nas concessões, sobretudo em recursos direcionados, indica menor oferta de financiamentos com condições favoráveis.
O Banco Central manteve os juros no início do ano, mas sinalizou que pode começar a cortar a Selic no próximo mês, diante de sinais de desaceleração da economia, o que será um fator a ser acompanhado pelos tomadores de crédito e pelas instituições.
O que observar adiante
Fique atento às próximas decisões do Banco Central sobre a Selic, às variações nas taxas cobradas pelos bancos e à evolução das concessões de crédito.
Movimentos de queda na Selic podem aliviar parte da pressão sobre a inadimplência, mas a recuperação dependerá também da oferta de crédito e da situação econômica das famílias e empresas.