Isenção do IR até R$5.000: 67% dizem que não foram beneficiados, 30% afirmam ganho, pesquisa Quaest revela impacto na renda familiar
Pesquisa Quaest aponta que a maioria não percebeu benefício direto da isenção do IR, embora quase metade dos entrevistados tenha sentido mudanças na renda familiar após a medida
A nova isenção do imposto de renda para quem recebe até R$5.000 por mês entrou em vigor em janeiro, com previsão de aumento na renda média mensal dos beneficiados.
Uma pesquisa recente mediu a percepção das famílias sobre esse ajuste, e os números mostram uma divisão clara entre expectativas e realidade percebida no primeiro mês da medida.
Os dados consolidados e os percentuais detalhados a seguir foram divulgados pela pesquisa, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultados da pesquisa
A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira mostra que 67% dizem que não foram beneficiados pela nova isenção do imposto de renda para quem ganha até R$5.000, enquanto 30% dizem que sim, e 3% não sabe/não respondeu. O levantamento traz os números apresentados de forma direta, como: “Beneficiou: 30% Não beneficiou: 67% Não sabe/não respondeu: 3%”.
Além disso, 47% dos entrevistados disseram ter sentido o impacto da isenção na renda familiar. Desses, 15% avaliam que a renda aumentou significativamente</b em janeiro, primeiro mês da medida em vigor, 32% afirmaram que renda aumentou, mas não muito, enquanto 50% não sentiu diferença, e 3% não sabe/não respondeu. O levantamento apresentou esses percentuais textualmente como: “Sim, a renda aumentou significativamente: 15% Sim, a renda aumentou, mas não muito: 32% Não sentiu diferença: 50% Não sabe/não respondeu: 3%”.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.
Detalhes da medida e quem é beneficiado
A isenção do imposto de renda passou a valer para trabalhadores com ganhos de até R$5.000 mensais, o que corresponde a R$60.000 por ano. Antes de entrar em vigor, a expectativa era de que quem recebe R$5.000 por mês teria um ganho de R$ 312,89 na renda mensal.
Segundo o economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e comentarista do Jornal da Globo, a medida beneficia cerca de 15 milhões de contribuintes. A lei também prevê desconto progressivo para quem ganha até R$7.350 mensais, e os contribuintes com renda acima dessa faixa continuam pagando a alíquota de 27,5%.
Cobrança para alta renda e exemplos práticos
O texto da lei estabelece cobrança para contribuintes de alta renda, com ganhos acima de R$600.000 por ano, para custear a isenção. A própria reportagem traz exemplos numéricos, citando que: “Quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%; Com R$ 615 mil anuais, a alíquota chega a 0,25%, e o imposto mínimo será de R$ 1.537,50.”
Carazza calcula que um grupo estimado entre 140 mil e 150 mil pessoas, ou seja, aquelas que recebem mais de R$50.000 por mês, passará a arcar com parte do custo da medida de isentar quem ganha até R$5.000.
O que os números indicam para a população
Os resultados mostram que, apesar da mudança legislativa e do ganho teórico para quem está na faixa até R$5.000, a percepção imediata da maioria ainda é de ausência de benefício direto. Ao mesmo tempo, quase metade das famílias notou ao menos alguma variação na renda em janeiro.
Com a pesquisa realizada em início de fevereiro, os economistas e formuladores de política pública devem acompanhar os próximos meses para verificar se a percepção da população muda com o tempo e se os efeitos econômicos se consolidam entre os beneficiários e entre os contribuintes de maior renda.