Khamenei afirma que não vai recuar diante dos protestos em Teerã, acusa manifestantes de ‘agradar’ Trump, e mantém apagão de internet em meio à crise

Khamenei rejeita pedidos de renúncia, acusa opositores de tentar ‘agradar’ Trump, e mantém medidas severas enquanto manifestações se espalham pelo país

Os protestos que começaram por motivos econômicos evoluíram para pedidos diretos contra o topo do poder iraniano, e a resposta oficial foi firme e sem sinal de recuo.

Nas ruas, manifestações ocorrem em dezenas de províncias, e autoridades adotaram restrições à comunicação que complicam o acesso a informações e a organização dos atos.

A situação aumentou a tensão com os Estados Unidos, em declarações públicas de líderes de ambos os países, e gerou relatos de mortes, prisões e violência nas ruas, conforme informação divulgada pelo g1.

Declarações de Khamenei e acusações contra manifestantes

O líder supremo, Khamenei, afirmou que não pretende recuar diante dos protestos e acusou parte dos manifestantes de agir para “agradar o presidente dos Estados Unidos”. Em discurso, ele disse, “Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, e pediu que Donald Trump “cuide do seu próprio país”.

Khamenei também atacou o presidente norte-americano, dizendo que “as mãos do presidente dos EUA, Donald Trump, estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, e chamou-o de “arrogante”. Essas declarações intensificaram o tom das respostas oficiais à onda de protestos.

Repressão, números e impacto do apagão

Autoridades imprimiram força na repressão, com operações policiais e cortes de comunicação. A ONG Netblocks afirmou que “O Irã está ‘atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional’”, com base em dados em tempo real, e isso agravou a crise de informação.

Em termos de vítimas, a ONG Iran Human Rights reportou que, até o momento, “pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos”. A mesma ONG indicou que a “quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento, com 13 mortos”, e que “centenas” ficaram feridas, além de mais de 2 mil detidos, segundo a contagem citada por organizações de direitos humanos.

Motivos econômicos e escalada das reivindicações

Os protestos eclodiram no final de dezembro por causa de uma crise econômica profunda, com a moeda local, o rial, tendo perdido metade de seu valor frente ao dólar no ano anterior, e com a inflação ultrapassando os 40% em dezembro. O aumento dos preços e a deterioração do poder de compra motivaram comerciantes a se manifestarem em 28 de dezembro, e os atos se espalharam para outras cidades.

Com o passar dos dias, e diante da repressão, as exigências de parte dos manifestantes ampliaram-se, passando a pedir a renúncia do líder supremo e mudanças políticas mais amplas, em protestos registrados em 25 das 31 províncias do país, segundo contagem mencionada pela AFP.

Reação internacional e possíveis desdobramentos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a situação e afirmou, “Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”, elevando a tensão diplomática.

Analistas alertam que o apagão de internet, as prisões em massa e as denúncias de mortos podem prolongar a crise e dificultar o diálogo. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu “a máxima moderação”, defesa do diálogo e escuta das “reivindicações do povo”, sugerindo por ora uma tentativa oficial de reduzir a escalada, embora sem sinais claros de recuo da liderança suprema.

O desfecho dependerá da evolução das mobilizações nas ruas, da capacidade do governo de controlar comunicações e protestos, e das pressões externas, com risco de novos confrontos e repercussões regionais e internacionais.