Lula Cobra Macron e Meloni por Acordo Mercosul-UE: ‘Assumam a Responsabilidade’ e Evitem Medo da Competitividade Brasileira

Lula pressiona França e Itália para fechar acordo Mercosul-UE e pede fim do receio de competitividade brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto aos governos da França e da Itália, pedindo o compromisso para a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Lula expressou sua expectativa de que os líderes europeus, especialmente o presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, assumam a responsabilidade de avançar com o pacto.

A cobrança veio em um momento crucial, com a aproximação da Cúpula da Unasul, que ocorrerá em Foz do Iguaçu no próximo sábado (20), com a participação da União Europeia. Lula espera que Macron e Meloni tragam a “boa notícia” da assinatura e que não demonstrem receio em relação à competitividade dos produtos brasileiros.

Conforme divulgado pelo G1, o presidente brasileiro explicou que a União Europeia demonstra disposição para o acordo, mas que Macron estaria relutante em avançar. Segundo Lula, o receio francês está ligado à perda de competitividade em produtos agrícolas, e que o “povo está meio rebelde na França”. Lula minimizou essa preocupação, afirmando que o Brasil não compete diretamente com os produtos agrícolas franceses, destacando as diferenças de qualidade e que o Brasil estaria cedendo mais nas negociações.

Parlamento Europeu aprova salvaguardas agrícolas mais rígidas

Em um desenvolvimento paralelo, o Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira (16) mecanismos de salvaguarda para as importações agrícolas do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Este passo é considerado importante para que o pacto, negociado há 26 anos, possa finalmente ser assinado.

No entanto, o texto aprovado pelo Parlamento é mais rigoroso do que a proposta original apresentada pela Comissão Europeia em setembro. O objetivo das salvaguardas é permitir a suspensão temporária dos benefícios tarifários do Mercosul caso a União Europeia entenda que isso possa prejudicar algum setor agrícola local.

Próximos passos e resistência europeia

Com as mudanças no texto, as negociações agora seguirão para o Conselho Europeu, composto pelos governos dos países-membros da UE, que havia apoiado a versão anterior das salvaguardas. As negociações terão início nesta quarta-feira (17), com reuniões do Conselho agendadas para quinta (18) e sexta (19).

A expectativa é que o acordo possa ser votado no Conselho ainda nesta semana. Caso seja aprovado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar à Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu para a assinatura oficial do pacto.

França e Itália lideram resistência à assinatura do acordo

A aprovação do acordo pelo Conselho Europeu exige maioria qualificada, ou seja, o aval de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população do bloco. A França é o principal país europeu resistente à assinatura do tratado, com agricultores temendo um “inundamento” do mercado com produtos agrícolas do Mercosul, considerados mais competitivos.

Segundo a agência Reuters, Emmanuel Macron e Giorgia Meloni concordaram nesta segunda-feira (15) com a necessidade de adiar a votação do acordo. A Itália pode ter uma posição decisiva, juntando-se à França, Polônia e Hungria, que são oficialmente relutantes. Áustria e Irlanda também demonstram possível oposição, enquanto a Bélgica indicou que se absterá na votação.