Macron critica aceleração do acordo comercial UE-Mercosul e alerta para risco à agricultura francesa, chamando decisão de “má surpresa”

Comissão Europeia anunciou aplicação provisória, acelerando o acordo comercial UE-Mercosul e gerando forte reação da França, que teme aumento de importações a preços baixos

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou como “uma má surpresa” a decisão da União Europeia de aplicar provisoriamente o acordo comercial UE-Mercosul, anunciada pela presidente da Comissão Europeia.

A França, maior produtora agrícola do bloco, teme que o tratado aumente de forma significativa as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando produtores locais que têm realizado protestos frequentes.

As informações e reações citadas a seguir foram compiladas conforme informação divulgada pelo g1.

Contexto político e anúncio da Comissão

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, ao confirmar que a Comissão seguirá com a aplicação provisória do acordo.

A decisão ocorre após a ratificação do texto pela Argentina e pelo Uruguai, na quinta-feira, e depois de a Câmara dos Deputados do Brasil aprovar o acordo na quarta-feira, seguindo agora para análise do Senado.

Reações da França e do Parlamento

Macron afirmou, durante encontro com o primeiro-ministro esloveno, que “Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”, ressaltando a insatisfação do governo francês com o ritmo e a forma do anúncio.

A associação francesa da indústria da carne, Interbev, pediu aos parlamentares que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”, pressionando pela manutenção da discussão pública e parlamentar sobre o acordo comercial UE-Mercosul.

Votos e balanço econômico do acordo

Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o acordo. Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve, segundo a cobertura do g1.

O tratado, celebrado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai após 25 anos de negociações, pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo do bloco em potencial de redução de impostos de importação.

Impactos previstos e próximos passos

Países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem o acordo como essencial para compensar perdas provocadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir dependência de minerais estratégicos da China.

Com a aplicação provisória anunciada pela Comissão Europeia, o foco agora se volta para as etapas formais de ratificação e para as respostas de setores agrícolas, parlamentares e governos nacionais, num cenário em que o equilíbrio entre ganhos comerciais e proteção de produtores locais será central.