Manifestantes em Milão rejeitam agentes do ICE nas Olimpíadas de Inverno, protestos unem partidos, sindicatos e ANPI contra presença dos agentes do ICE

Milão vive dias de tensão com a presença planejada de agentes do ICE nas estruturas de segurança das Olimpíadas de Inverno, manifestantes afirmam que não querem a força americana em solo italiano

Centenas de pessoas se reuniram na Piazza XXV Aprile em Milão para protestar contra a participação de agentes do ICE na segurança da delegação dos Estados Unidos durante as Olimpíadas de Inverno.

Os manifestantes, entre eles membros do Partido Democrático, da confederação sindical CGIL e da ANPI, carregaram faixas e gritaram slogans para mostrar rejeição à presença estrangeira nas operações de segurança.

Organizadores e participantes disseram que o protesto também expressa preocupação com abusos atribuídos a autoridades americanas e com uma onda de ideias que relacionam a atuação do ICE ao autoritarismo.

conforme informação divulgada pelo g1

O que motivou a mobilização

Cartazes com mensagens como, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos”, “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”, e “ICE só no Spritz”, circularam entre a multidão, destacando o tom crítico do ato.

Uma manifestante segurou uma placa com a frase “ICE = Gestapo”, e disse estar profundamente abalada por cenas envolvendo agentes do ICE em Minneapolis, que, segundo ela, incluíram tiros, mortes e detenções de crianças.

Outros participantes repetiram a mensagem curta e direta, “Não os queremos aqui”, e ressaltaram que a presença dos agentes incomoda até quem sabe que eles terão função interna, de controle e investigação.

Quem vai atuar e qual será a função

As autoridades americanas selecionaram uma divisão do ICE, a Homeland Security Investigations, para apoiar a segurança da delegação, em especial em investigações transfronteiriças, e não para policiamento ostensivo nas ruas.

Segundo a cobertura, os agentes do ICE estarão alocados em uma sala de controle, com atuação restrita, e não há indicação de envio da unidade Enforcement and Removal Operations, que lidera ações de repressão migratória internamente nos EUA.

A distinção entre unidades foi destacada por quem acompanha o caso, mas não impediu que muitos manifestantes reiterassem a rejeição à própria ideia de agentes do ICE em solo italiano.

Repercussão política em Milão e em Roma

A notícia sobre o envio dos agentes gerou reação política imediata, inclusive repercussão negativa ao governo italiano, com o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmando que eles não eram bem-vindos.

O Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, foi convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o envio, em uma semana marcada por questionamentos sobre soberania e a gestão da segurança durante os Jogos.

Nos cartazes e falas do protesto, a crítica também foi dirigida a ideias e práticas que os manifestantes associam ao fascismo, com repúdio explícito a episódios de violência observados em outros países.

Vozes do protesto

Entre as falas coletadas, Silvana Grassi afirmou, “Dá vontade de chorar só de pensar nisso”, ao comentar cenas envolvendo agentes em Minneapolis, e perguntou, “Como eles elegeram um homem tão terrível e perverso?”.

Paolo Bortoletto, outro manifestante, reconheceu que a função dos agentes seria investigativa, e mesmo assim declarou, “Não os queremos em nosso país. Somos um país pacífico. Não queremos fascistas. São as ideias deles que nos incomodam.”

Os protestos em Milão colocam em debate a participação de forças estrangeiras em operações de segurança de eventos internacionais, a sensibilidade histórica de locais como a Piazza XXV Aprile, e o impacto político e simbólico de decisões tomadas em colaborações entre países.