Milei China Trump: como o presidente argentino pode negociar com Pequim sem romper aliança com Trump e preservar apoio financeiro dos EUA

Milei China Trump enfrenta o desafio de manter laços comerciais profundos com a China, sem desencadear retaliação política ou econômica de Washington

O governo argentino caminha sobre uma corda bamba, entre a necessidade de garantir reservas e investimentos, e o alinhamento político com os Estados Unidos.

O presidente busca ampliar mercados e proteger a economia, enquanto Washington pressiona aliados para conter a influência de Pequim nas Américas.

Conforme informação divulgada pelo g1

Por que a China é estratégica para a Argentina

A relação econômica com Pequim é profundamente simbiótica e difícil de substituir, o que complica a equação do presidente que se revela pró‑EUA.

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, e o comércio com Pequim representou 23,7% das importações argentinas e 11,3% das exportações, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos, dados citados na cobertura.

Além disso, foi renovada a parte ativa do acordo de swap cambial com a China, no valor equivalente a US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões), operação usada para reforçar reservas internacionais, objetivo central do governo Milei.

Contradições entre retórica e prática

Durante a campanha, Milei prometeu que não faria “negócios com a China” nem “com nenhum comunista”, mas, no governo, adotou postura pragmática diante das necessidades econômicas.

Em Davos, ele afirmou que “a China é uma grande parceira comercial”, que oferece “muitas oportunidades para expandir mercados”, e que isso “não entra em conflito” com seu alinhamento com os Estados Unidos.

Na prática, a abertura econômica facilitou a entrada de produtos chineses, e em 2025 as importações porta a porta, lideradas por Temu e Shein, cresceram 274,2%, segundo dados oficiais citados na reportagem.

Pressão dos EUA, apoio financeiro e riscos geopolíticos

Ao mesmo tempo, o alinhamento com Washington é forte, e Trump e sua administração têm deixado claro que não veem com bons olhos o aumento da presença chinesa na região.

Em outubro, Milei recebeu uma linha de ajuda financeira de US$ 20 bilhões (R$ 107,6 bilhões, na cotação da época) de Washington, um endosso relevante em meio a crises internas, conforme a matéria.

O secretário do Tesouro dos EUA disse, na ocasião, “Não queremos outro Estado falido ou liderado pela China na América Latina”, frase que sintetiza a pressão política sobre aliados na região.

Como conciliar comércio e alinhamento político

Analistas apontam que Milei tenta separar os laços econômicos com a China do alinhamento geopolítico com os EUA, mas questionam se essa separação é sustentável.

Dados mostram dependência específica, pois, segundo o Indec, 70% das exportações argentinas para a China em 2025 foram de soja, carne bovina e lítio, produtos centrais para a balança comercial do país.

Ao mesmo tempo, movimentos concretos ilustram a interdependência, como a chegada de cerca de 5 mil carros elétricos da marca chinesa BYD, e investimentos chineses em energia, lítio e infraestrutura.

O dilema permanece, e a visita anunciada por Milei à China coloca na agenda a pergunta central, se Buenos Aires conseguirá manter o fluxo comercial e financeiro com Pequim, sem provocar retaliações políticas ou exigências de Washington.