Narges Mohammadi condenada pelo Irã a 7 anos de prisão, ganhadora do Prêmio Nobel inicia greve de fome em protesto, entenda as acusações e proibições
Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel de 2023, teve sentença que soma 7 anos, inclui proibição de viajar por dois anos, e enfrenta acusações por conspiração e propaganda
Narges Mohammadi, ativista iraniana e vencedora do Prêmio Nobel de 2023, voltou a ser alvo de uma sentença judicial que pode mantê-la presa por anos.
A militante está detida desde dezembro, e sua situação despertou preocupação internacional, em especial entre organizações de direitos humanos e apoiadores no exterior.
As informações sobre a condenação e sobre a greve de fome foram divulgadas por veículos e pela própria fundação da ativista, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes da sentença
Segundo o advogado de Mohammadi, “Ela foi condenada a seis anos de prisão por ‘conspiração e conluio’ e a um ano e meio por propaganda. E recebeu uma proibição de viajar por dois anos”, disse ele.
Com isso, a soma das penas chega a 7 anos, além da restrição de deslocamento internacional por dois anos, segundo o relato do advogado.
Procurado pela agência de notícias Associated Press, o governo iraniano não confirmou a sentença, de acordo com a reportagem inicial.
Greve de fome e condições de detenção
A Narges Foundation, com sede em Paris, afirmou ter recebido informações confiáveis de que a ativista iniciou uma greve de fome em 2 de fevereiro.
A fundação informou que o ato é “em protesto contra sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades enfrentadas por inúmeros presos políticos atualmente detidos no Irã”.
Mohammadi já havia sido presa diversas vezes, e foi libertada temporariamente em dezembro de 2024 por questões de saúde, antes de ser detida novamente no mesmo mês.
Contexto e repercussão
Com 54 anos, Narges Mohammadi tornou-se uma voz central na chamada revolução feminina no Irã, após protestos pela morte de uma jovem detida por irregularidade no uso do véu.
Ela recebeu o Nobel em 2023 por seu papel na luta contra a opressão das mulheres e por defender direitos humanos, posição que atraiu atenção internacional às ações do regime.
A prisão e a greve de fome devem intensificar debates sobre a situação de presos políticos no Irã e aumentar pedidos por esclarecimentos das autoridades internacionais e organizações de direitos humanos.