Netflix pode ter compra da Warner Bros barrada por órgãos antitruste nos EUA; entenda os riscos

Netflix enfrenta forte oposição regulatória para aquisição bilionária da Warner Bros Discovery

A Netflix anunciou uma proposta ambiciosa de aquisição dos estúdios e da área de streaming da Warner Bros Discovery, em um negócio avaliado em US$ 72 bilhões. A gigante do streaming alega que a operação está alinhada com as diretrizes das autoridades antitruste dos Estados Unidos, prometendo mais benefícios aos seus 300 milhões de assinantes com um catálogo ampliado.

No entanto, a proposta já enfrenta resistência significativa por parte de membros do Congresso americano. Republicanos alertam que a união pode restringir as opções de conteúdo para os consumidores e concentrar excessivamente o poder de mercado nas mãos da Netflix, um ponto crucial para a análise de órgãos reguladores.

A notícia foi divulgada pelo G1, que detalha as preocupações levantadas por senadores e deputados sobre os impactos da fusão no cenário competitivo do entretenimento digital. A expectativa é de uma análise aprofundada por parte do Departamento de Justiça dos EUA.

Críticas de parlamentares americanos à concentração de mercado

O senador americano Mike Lee, republicano de Utah e presidente do comitê antitruste do Senado, expressou publicamente sua preocupação. Ele afirmou que a aquisição dos ativos de streaming da Warner Bros Discovery pela Netflix deveria ser um alerta para as autoridades antitruste globais.

Lee argumentou que, embora a Netflix ofereça um serviço de qualidade, aumentar seu domínio dessa forma poderia significar o fim da “Era de Ouro do streaming” tanto para criadores de conteúdo quanto para consumidores. A observação foi feita em sua conta na rede social X.

Sua preocupação é compartilhada por outros parlamentares. No mês passado, o senador republicano Roger Marshall, do Kansas, e o deputado Darrell Issa, da Califórnia, já haviam solicitado às autoridades antitruste dos EUA que avaliassem a operação. Eles temem que a falta de pressão competitiva possa levar a Netflix a reduzir a produção e o lançamento de filmes nos cinemas.

Análise antitruste e o tamanho do negócio

Pelo expressivo valor do acordo, é altamente provável que a transação passe por uma análise rigorosa do Departamento de Justiça dos EUA. A soma dos 128 milhões de assinantes da HBO Max aos mais de 300 milhões da Netflix criaria um gigante sem precedentes no mercado de streaming.

Em sua defesa, a Netflix pode argumentar sobre a evolução dos hábitos de consumo de mídia. A empresa pode destacar o crescimento de plataformas como o YouTube, da Alphabet, que recentemente se tornou a plataforma preferida dos americanos para assistir à TV, sinalizando um mercado dinâmico e competitivo.

A gigante do streaming, apesar de apresentar a oferta mais alta pelos ativos em questão, é vista como politicamente menos favorecida em comparação com a Paramount Skydance. Esta última é liderada por David Ellison e possui vínculos considerados próximos ao governo Trump, o que pode influenciar o cenário regulatório.

Posicionamento da Netflix e desafios futuros

Ted Sarandos, presidente-executivo da Netflix, demonstrou confiança no processo regulatório. Ele declarou que o acordo é benéfico para consumidores, inovação, trabalhadores, criadores e para o crescimento do setor, após o anúncio oficial do negócio.

A área antitruste do Departamento de Justiça dos EUA é atualmente comandada por Gail Slater. Ex-executiva da Fox e da Roku, ela também atuou como assessora econômica do vice-presidente JD Vance. Desde que assumiu o cargo, Slater tem defendido ativamente o uso da legislação antitruste para proteger consumidores, trabalhadores e a inovação nos Estados Unidos.

O histórico do presidente Donald Trump de intervir em grandes fusões de mídia, como a compra da Time-Warner pela AT&T, avaliada em US$ 85 bilhões, levanta questões sobre como sua administração poderia reagir. Trump chegou a pressionar o Departamento de Justiça contra essa fusão, citando preocupações com a concentração de mídia, embora a AT&T tenha vencido a disputa judicial posteriormente.