Nobel da Paz 2025: María Corina Machado em Oslo sob Mistério e Protestos
Nobel da Paz de María Corina Machado em Oslo: paradeiro incerto e protestos marcam a véspera da cerimônia
A cerimônia de entrega do Nobel da Paz à opositora venezuelana María Corina Machado, marcada para esta quarta-feira (10) em Oslo, Noruega, está envolta em incerteza e tensão. Horas antes do evento, o paradeiro da agraciada é desconhecido, gerando apreensão entre aliados e familiares que já se encontram na capital norueguesa.
O clima de mistério aumentou após o cancelamento de uma coletiva de imprensa na terça-feira (9). A ativista, que vive na clandestinidade desde agosto de 2024 e não aparece em público desde janeiro, teve sua presença confirmada anteriormente pelo Instituto Nobel, que premia a luta de Machado pelos direitos democráticos na Venezuela.
Conforme informações divulgadas pelo G1, dezenas de venezuelanos exilados viajaram para a Noruega para acompanhar a premiação. A expectativa é grande, mas a ausência de Machado levanta dúvidas sobre sua participação. A líder da oposição venezuelana, impedida de concorrer às eleições de 2024, tem enfrentado forte perseguição política em seu país, com o procurador-geral, alinhado a Nicolás Maduro, afirmando que ela seria considerada “foragida” caso deixasse a Venezuela.
Família e Aliados em Oslo Aguardam Notícias
Em meio ao mistério que cerca a protagonista, familiares, aliados políticos e até presidentes latino-americanos aguardam em Oslo. Chegaram à Noruega o opositor Edmundo González Urrutia, candidato às eleições presidenciais de 2024, e o presidente argentino, Javier Milei. Os presidentes do Panamá, Equador e Paraguai também foram convidados.
No Grand Hotel, onde laureados do Nobel costumam se hospedar, a mãe de Machado, Corina Parisca, suas irmãs e dois de seus filhos afirmaram não saber do paradeiro da premiada. Apesar da incerteza, mantêm a confiança em sua chegada para receber a medalha de ouro, o diploma e os US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,51 milhões).
Protestos em Oslo Questionam a Escolha do Nobel
Enquanto a comunidade internacional aguarda a presença de María Corina Machado, grupos pacifistas e figuras da esquerda norueguesa realizaram protestos em frente ao Instituto Nobel. Os manifestantes exibiram lemas como “Não ao Prêmio Nobel da Paz para belicistas” e “EUA, tire as mãos da América Latina!”.
As críticas se baseiam no apoio demonstrado por Machado às operações militares dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico, que resultaram na morte de ao menos 87 pessoas em ataques contra supostas embarcações de narcotraficantes. Em sua primeira declaração após ser anunciada como vencedora, Machado agradeceu o presidente dos EUA, Donald Trump, por seu “apoio decisivo à nossa causa”, dedicando o prêmio ao povo venezuelano.
Onze Meses de Clandestinidade e Denúncias de Fraude Eleitoral
Engenheira de formação, María Corina Machado entrou na clandestinidade após as eleições de julho de 2024, que resultaram na reeleição de Nicolás Maduro. O pleito foi marcado por denúncias de fraude e pela recusa de observadores internacionais em legitimar o resultado. Machado, impedida de concorrer, acusou Maduro de roubar a eleição de seu candidato, Edmundo González, apresentando cópias de votos como prova.
O chavismo rejeitou as acusações, mas Estados Unidos, União Europeia e diversos países latino-americanos não reconhecem a reeleição de Maduro. O Nobel da Paz foi anunciado em 10 de outubro, justificado “por seu incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia”. No mesmo dia da premiação, o chavismo anunciou que realizará uma manifestação em Caracas.