Novas tarifas dos EUA entram em vigor com taxa adicional de 10%, entenda impacto para o Brasil e reações do Japão, União Europeia e Reino Unido

Os Estados Unidos começaram a cobrar uma tarifa global temporária de 10% sobre importações não isentas, decisão anunciada pela CBP após ordens de Trump e com pedido de garantias de Japão, UE e Reino Unido

Os Estados Unidos passaram a aplicar, a partir desta terça-feira, uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, segundo aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, a CBP.

A medida segue anúncio do presidente Donald Trump na sexta-feira, e difere da elevação para 15% que ele mencionou no sábado, quando afirmou que aumentaria o percentual.

A cobrança começou à meia-noite, enquanto a aplicação das tarifas anteriores, que variavam de 10% a 50%, foi suspensa pela decisão da Suprema Corte, conforme informação divulgada pelo g1

Como funcionam as novas tarifas dos EUA

A CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações ‘estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%’, texto usado para orientar a aplicação imediata da medida.

Essa tarifa corresponde à taxa inicialmente anunciada por Trump no dia 20 de fevereiro, e vale para todos os produtos não isentos, de forma temporária, com base na Proclamação Presidencial divulgada no mesmo período.

Justificativa legal e números citados pelo governo

A ordem se apoia na chamada Seção 122 da legislação americana, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias, com objetivo de enfrentar déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos.

Na ordem tarifária, o governo argumenta que há um desequilíbrio significativo nas contas externas dos EUA, refletido em ‘um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens, um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB e a reversão do superávit de renda primária’.

Reações internacionais e possibilidade de aumento

O anúncio gerou pedidos de garantias do Japão, que quer ser tratado tão favoravelmente quanto no acordo atual, e sinais semelhantes da União Europeia e do Reino Unido, que desejam preservar os acordos já firmados com os EUA.

Fontes citaram ao Financial Times que o aumento para 15% poderia ocorrer posteriormente por meio de um decreto formal, mas essa informação não foi imediatamente confirmada por autoridades independentes.

Impacto esperado para o Brasil e próximos passos

Para exportadores brasileiros, a tarifa global de 10% eleva a incerteza comercial, sem discriminar setores, a menos que produtos específicos sejam incluídos nas listas de isenção.

O governo americano alertou que recuos em acordos recentes com os EUA poderão levar à adoção de tarifas ainda mais elevadas, com base em outras leis comerciais, o que amplia o cenário de tensão nas negociações multilaterais.

Nas próximas semanas, o prazo permitido pela Seção 122 e eventuais decretos posteriores serão determinantes para saber se a taxa permanecerá em 10% ou será elevada, enquanto países parceiros buscam garantias e revisões, conforme se desenvolvem as negociações.