Países ricos devem temer a brasilização da economia global, alerta The Economist, juros altos e dívida explosiva podem virar cenário para EUA e Europa em 2026

O termo brasilização descreve o risco de juros persistentes e dívida pública crescente, uma combinação que pode enredar orçamentos do mundo rico e reduzir crescimento

A revista The Economist usa o Brasil como um aviso sobre um processo que ela chama de brasilização da economia global, quando juros altos tornam a dívida cada vez mais difícil de administrar.

No diagnóstico, indicadores aparentemente positivos convivem com uma dinâmica de endividamento que pode se tornar explosiva, com impactos sobre confiança e crescimento.

As informações destacadas pela revista, e reproduzidas pela imprensa brasileira, foram compiladas neste texto, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o Brasil virou sinal de alerta

Segundo a revista, a combinação de taxas de juros elevadas, contas primárias quase equilibradas e um banco central independente não impede que a dívida suba de forma perigosa.

Com a Selic em 15% ao ano, a The Economist afirma que o governo brasileiro “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.

A publicação também lembra que “Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico.”, apontando que o problema é tanto o nível quanto a trajetória.

Dados fiscais e projeções que preocupam

O texto cita estimativas do Fundo Monetário Internacional, apontando que a dívida pública bruta do Brasil “vai atingir 99% do PIB em 2030”. Em 2010, ela correspondia a 62% do PIB.

A revista destaca ainda a rigidez do gasto público, com o país destinando cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias, o que pressiona o orçamento sem reformas estruturais.

Limites políticos e reformas necessárias

A The Economist avalia que a saída pela austeridade parece politicamente inviável e que o governo eleito e o Congresso enfrentam barreiras, entre elas proteções constitucionais a benefícios.

O editorial afirma que “Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, ao mesmo tempo, prometer baixa inflação e gastar menos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha agonizante que se aproxima do Brasil: entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida.”, ressaltando o dilema político-fiscal.

A revista também critica o sistema tributário, chamando-o de “bagunça”, e observa que a falta de reformas pode custar ao Brasil até um ponto percentual de crescimento por ano, além de minar a confiança dos mercados.

O aviso para Estados Unidos e Europa

A The Economist usa o caso brasileiro como um “alerta antecipado” para economias avançadas, lembrando que o envelhecimento populacional e o peso de aposentadorias e saúde pressionam orçamentos mundo afora.

O editorial cita sinais nos Estados Unidos, afirmando que instituições estão sob pressão e que a política pode complicar o controle da inflação, ao mencionar que o presidente Donald Trump “politizou o Departamento de Justiça”, “deseja controlar o Federal Reserve” e “cogita federalizar as eleições”.

Para a publicação, a combinação de instituições fragilizadas, inflação com “um pavio mais curto” e rigidez de gastos cria um risco semelhante ao que assola o Brasil, caso governos avancem sem ajustes estruturais.

Em resumo, a revista apresenta a brasilização como um cenário evitável, desde que haja reformas fiscais, controle de gastos e fortalecimento institucional, demandas que, segundo a publicação, serão testadas pelas eleições e pela capacidade política de enfrentar interesses consolidados.