PDVSA em xeque com ofensiva dos EUA, como ficará a petroleira estatal, impactos geopolíticos e a possível entrada de Chevron e Exxon
Novo cenário com promessa de “assumir” o setor por Trump, proposta de reestruturar a PDVSA com empresas americanas, e o desafio de recuperar produção e infraestrutura
O futuro da PDVSA entrou no centro do debate após a ofensiva dos EUA que retirou Nicolás Maduro do poder, com a promessa de reabrir o setor a capital privado norte-americano.
Especialistas alertam que a estatal foi enfraquecida por décadas de má gestão, falta de investimento e sanções, mas que mantém um enorme potencial por deter grandes reservas.
As informações a seguir sintetizam as análises e dados reunidos na cobertura sobre a ofensiva e suas implicações, conforme informação divulgada pelo g1.
O que acontece com a PDVSA
A PDVSA segue operando apesar da ofensiva militar, com, segundo a Reuters, atividades de produção e refino que continuam normalmente, embora o porto de La Guaira tenha sido afetado.
O principal desafio da empresa é estrutural. Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados, afirma que “A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”, conforme levantado pela cobertura do g1.
Historicamente, “Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta”, mais de 300 bilhões de barris segundo entidades internacionais do setor energético, o que torna a recuperação estratégica para mercados e governos.
O impacto operacional foi profundo, e a produção nacional chegou a cair, segundo fontes, “mais de 70% desde o fim dos anos 1990”, embora a produção tenha conseguido “estabilizar a produção em torno de 1 milhão de barris por dia” em parte por licenças a algumas empresas estrangeiras, diz o levantamento do g1.
O plano de Trump e o papel das petrolíferas americanas
Em coletiva, Donald Trump afirmou que os EUA pretendem “consertar” a indústria petrolífera venezuelana ao abrir o setor para grandes empresas americanas, e defendeu participação direta do capital privado.
Na declaração citada pelo g1, Trump disse, “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, sinalizando que Exxon, Chevron e outras podem liderar a recuperação.
Analistas do UBS BB mencionam que a proposta seria um modelo de transição em que os EUA “administrem” parte da Venezuela enquanto a produção é liderada por empresas americanas, buscando recuperar prejuízos acumulados.
O mercado reagiu à expectativa, e a Chevron, que mantém operações no país, “subiu 5,1% na segunda-feira”, refletindo a leitura de que algumas empresas estão melhor posicionadas para retomar atividade, conforme apurado pelo g1.
Impactos no mercado global e no tabuleiro geopolítico
Especialistas consultados pelo g1 avaliam que, no curto prazo, os efeitos sobre os preços do petróleo tendem a ser limitados, porque a oferta venezuelana permanece bem abaixo do potencial histórico.
Mesmo em cenário otimista, a recuperação seria gradual. Helder Queiroz aponta que não há possibilidade de aumento rápido e que um retorno a 3 milhões de barris por dia “não ocorreria em menos de cinco anos”, segundo análise divulgada pelo g1.
Além da dimensão comercial, há uma vertente geopolítica, já que a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano e credora do país. A ofensiva dos EUA também busca reduzir a influência de Pequim e Moscou na Venezuela, conforme avaliação de especialistas citados na cobertura do g1.
Em resumo, a ofensiva americana reabre a possibilidade de parcerias entre a PDVSA e empresas internacionais, e embora isso possa trazer investimentos e recuperação gradual, a transformação exigirá anos, mudanças de governança e segurança jurídica significativa para atrair capital.