PIB fantasma, desemprego em massa e tombo das ações, o texto da Citrini Research sobre IA que viralizou e assustou mercados com previsões apocalípticas

O artigo viral que fala em PIB fantasma e demissões em massa, e que motivou quedas em ações de tecnologia e bancos, colocou em debate riscos econômicos e respostas políticas

Uma postagem longa publicada no domingo pela Citrini Research se transformou em gatilho imediato para perdas em bolsas, reacendendo o debate sobre os efeitos macroeconômicos da inteligência artificial.

O texto, escrito como um exercício de cenários futuro, descreve desemprego em massa e um aumento de produtividade que não chega à economia real, conceito que os autores chamam de PIB fantasma.

Os eventos e dados citados neste texto seguem relato do g1, que compilou informações da cobertura internacional sobre a repercussão do post, e os impactos percebidos nos mercados, conforme informação divulgada pelo g1.

O que dizia o texto que viralizou

O post assinado pela Citrini Research é apresentado como um “exercício mental”, e logo no começo afirma, entre aspas, “O único objetivo deste texto é modelar um cenário que tem sido relativamente pouco explorado”.

Escrito como se fosse um relatório datado de 30 de junho de 2028, o texto descreve um mundo com desemprego de 10,2% e uma queda de quase 40% do S&P, traçando uma espiral em que melhorias de produtividade via IA levam à substituição de trabalhadores de colarinho branco e à redução do poder de compra.

Os autores apresentam a ideia de que, mesmo com aumento de produção, a riqueza não circula na economia, daí o termo PIB fantasma, e descrevem uma dinâmica em que agentes autônomos de IA, por serem mais baratos e mais produtivos, reduzem a demanda por mão de obra qualificada.

Reação imediata dos mercados e números citados

Na segunda-feira seguinte à publicação, algumas ações de tecnologia e financeiras despencaram, movimento que analistas atribuíram em parte ao post viral da Citrini Research.

Conforme a cobertura, as empresas de software Datadog, CrowdStrike e Zscaler viram suas ações despencarem mais de 9% cada uma. A International Business Machines teve queda de 13%, o que foi reportado como seu pior desempenho em um único dia desde 2000.

Outros papéis foram afetados, com a American Express caindo cerca de 7%, e bancos como JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley recuando mais de 4%. Mastercard e Visa também tiveram quedas de mais de 4%.

Jornalistas destacaram que “A explicação mais comum para a renovada apreensão [nos mercados na segunda-feira] foi uma postagem no blog da Citrini Research sobre como a IA poderia levar à demissão de muitos profissionais de alta renda e prejudicar a economia”, conforme escreveu o colunista Robert Armstrong no Financial Times.

O Wall Street Journal observou que, em um mercado dominado por ações de tecnologia, “não é preciso muito para provocar movimentos turbulentos nas ações”, e que um argumento hipotético de 7 mil palavras acabou figurando entre os fatores por trás da queda de 800 pontos do Dow Jones.

Ceticismo, críticas e argumentos que relativizam o cenário

Nem todos os analistas aceitavam a narrativa do post como previsível. Críticos apontaram que o artigo pode subestimar a capacidade de adaptação do trabalho humano e a reação das instituições públicas e privadas.

Em trecho citado pela cobertura, o editor da revista Fortune escreveu que o cenário da Citrini “pode estar ignorando a adaptabilidade humana e a resposta institucional”, e que a IA “poderia eventualmente democratizar o acesso à abundância”.

Especialistas citados também lembraram que parte significativa das ocupações atuais ainda depende de contexto humano dinâmico e de atualização constante, e que ganhos de produtividade historicamente realocaram valor em vez de destruí-lo de forma permanente.

O que o texto recomenda e as implicações para políticas e investidores

Os autores do exercício mental não se apresentam como profetas, e lembram que “Temos certeza de que alguns desses cenários não se concretizarão. Da mesma forma, temos certeza de que a inteligência artificial continuará a se acelerar”.

Na visão dos autores, o cenário descrito exigiria respostas políticas difíceis, já que uma queda na massa salarial reduziria a arrecadação tributária exatamente quando seria maior a necessidade de transferência de renda.

Para investidores, o texto conclui que ainda há tempo para revisar premissas de portfólios que podem depender de suposições sobre crescimento e consumo, enquanto para formuladores de política pública o desafio seria adaptar instituições em ritmo suficiente para mitigar riscos sociais.

A discussão levantada pela postagem deixou clara uma outra lição, apontada por analistas, que é a sensibilidade atual do mercado a narrativas virais, e a necessidade de distinguir entre cenários hipotéticos e previsões com base em dados consolidados.

O CEO do JPMorgan Chase reagiu dizendo que temores sobre a IA são exagerados e que o banco usará a tecnologia a seu favor, resumindo sua visão com a frase, “Na minha opinião, sairemos vencedores”.