Por que o México foi maior beneficiado pelas tarifas de Trump em 2025, como o T-MEC impulsionou exportações para os EUA e o teste decisivo na renegociação

México beneficiado pelas tarifas de Trump, com isenção do T-MEC e alta de 5,66% nas exportações para os EUA em 2025

O México conseguiu transformar a política tarifária agressiva do governo Trump em vantagem, ampliando vendas ao mercado americano mesmo em um ambiente de taxas mais altas para a maioria dos países.

Exportadores mexicanos passaram a usar com mais frequência as regras do T-MEC, o que permitiu escapar de tarifas aplicadas a outros fornecedores, e a proximidade geográfica reforçou a competitividade.

Os dados e análises a seguir ajudam a entender por que o país foi visto como um dos “ganhadores inesperados” da política tarifária americana e qual é o desafio que vem pela frente, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o México saiu na frente

Uma combinação de fatores convergiu para que o México se tornasse o maior beneficiado pelas tarifas de Trump em 2025, entre eles a isenção para produtos que atendem às regras do T-MEC, a cadeia de abastecimento já estabelecida e a relocalização industrial iniciada em mandatos anteriores.

Segundo Erica York, analista do centro de estudos Tax Foundation, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”. Essa exceção fez com que transações dentro do acordo se tornassem muito mais vantajosas.

O Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM), da Universidade da Pensilvânia, mostra que os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6%, em outubro de 2025, contra uma média muito maior para outros países, e isso ajudou compradores americanos a privilegiar fornecedores mexicanos.

O resultado foi um crescimento real das exportações mexicanas para os Estados Unidos, de 5,66% em 2025, enquanto as estatísticas oficiais do México, atualizadas até novembro de 2025, indicam seis meses consecutivos de alta após o anúncio das tarifas americanas.

Setores que avançaram e os que ficaram para trás

Nem todos os setores responderam da mesma forma. A indústria eletrônica e outras cadeias já instaladas no México aproveitaram a vantagem, sobretudo quando estoques contratados antes das tarifas foram consumidos e compras passaram a privilegiar produção local.

Por outro lado, o setor automotivo apresentou crescimento modesto de 0,9% em 2025, resultado aquém do esperado, mesmo após negociações que limitaram tarifas a componentes automotivos “não fabricados nos Estados Unidos”, ou seja, fora do T-MEC.

Setores como aço e alumínio sentiram diretamente as tarifas de 25% impostas por Washington, e registraram queda nas exportações para os EUA, mostrando que a vantagem mexicana não foi uniforme.

O papel do T-MEC e a mudança de estratégia das empresas

Antes de 2025, muitas empresas mexicanas preferiam pagar tarifas baixas em vez de cumprir a burocracia do T-MEC, mas o aumento tarifário mudou essa equação.

Erica York observa que, em 2024, cerca de 38% das importações americanas do Canadá e 49% das do México eram realizadas no âmbito do acordo, números que subiram para cerca de 86% a 87% dos produtos após as medidas do governo americano.

Mario Campa, especialista em política econômica, explica o comportamento do mercado, “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”. Esse movimento aumentou a participação do México nas cadeias de suprimento dos EUA.

Enquanto a tarifa efetiva média para o resto do mundo subiu para 10,91% em outubro de 2025, ante 2,2% em janeiro de 2025, produtos chineses chegaram a enfrentar uma tarifa efetiva de 37,1%, segundo o PWBM, o que reforçou o redirecionamento das compras americanas para fornecedores com tratamento tarifário favorável.

O teste decisivo: a renegociação do T-MEC e os riscos

Apesar dos números positivos, o futuro favorável do México depende agora de negociações que podem alterar completamente o cenário. O presidente Trump declarou publicamente que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”, e disse também, em visita a Michigan, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.

A reação no México foi imediata, e a presidente Claudia Sheinbaum afirmou estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”. A incerteza, no entanto, persiste, e a renegociação marcada para o ano pode trazer desde a manutenção do pacto até uma ruptura.

Mario Campa alerta para cenários diversos, “poderiam variar do mais favorável até uma catástrofe para o México”. A aproximação entre o Canadá e a China também é vista como um sinal de fragilidade para uma frente comercial norte-americana coordenada.

Se o pior ocorrer, Campa recomenda que o México acelere planos para diversificar mercados, como o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum, para reduzir a dependência excessiva do mercado americano.

O que acompanhar nos próximos meses

Os próximos passos das negociações do T-MEC, ações do governo americano e acordos paralelos, como os recém-firmados entre o Canadá e a China, serão determinantes para entender se o rótulo de “ganhador” do México se confirma ou se foi uma fotografia momentânea.

Analistas e exportadores devem monitorar três sinais-chave: a manutenção das isenções para produtos dentro do T-MEC, mudanças nas tarifas setoriais como as do aço e do alumínio, e iniciativas mexicanas de diversificação de parceiros comerciais.

Em síntese, o México foi beneficiado pelas tarifas de Trump em 2025 porque conseguiu traduzir isenções e vantagens relativas em crescimento nas exportações, mas o país encara agora um teste decisivo que pode redefinir essa posição no breve prazo, conforme informação divulgada pelo g1.