Por que o preço do petróleo não dispara com ameaças de Trump ao Irã e à Venezuela, preço do petróleo tende a ficar entre US$ 60 e US$ 65 em 2026 por excesso de oferta

Como o excesso de oferta global, oscilações por ações dos EUA contra Irã e Venezuela, e a política de preços da Petrobras ajudam a segurar o preço do petróleo em 2026

Nos primeiros dias de 2026, notícias sobre ataques e controle de vendas de petróleo geraram picos de preço, mas os movimentos foram breves.

Especialistas apontam que a dinâmica de oferta e demanda, com oferta elevada, tem predominado sobre choques geopolíticos pontuais.

No Brasil, a combinação entre preços internacionais moderados e a política de preços da Petrobras afeta inflação e arrecadação, conforme informação divulgada pelo g1

Riscos geopolíticos, reações imediatas e retorno à estabilidade

Eventos envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump, provocaram variações rápidas no mercado. Após a ordem de ataque contra a Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro houve alta do Brent, seguida de queda nos dias seguintes.

Os dados citados pela reportagem mostram que o barril do petróleo Brent, referência para o mercado, subiu 1,6%, para US$ 61,76, e em seguida despencou 7%, para US$ 60,70, segundo a consultoria Elos Ayta.

Também houve alta de mais de 4% em outro episódio, de US$ 63,87 para US$ 66,52, diante de temores sobre o Irã e o Estreito de Ormuz, mas os preços recuaram após sinalizações de diálogo entre as partes.

Excesso de oferta e expectativa de mercado para 2026

Apesar das flutuações, a leitura geral do mercado é de que há um excesso de oferta entre os países produtores, e isso tende a limitar alta duradoura dos preços.

Como relatório citado indica, a previsão do mercado é que o preço do barril de petróleo fique entre US$ 60 e US$ 65 em 2026, nível próximo do limite de viabilidade para investimentos mais caros.

Na análise de especialistas ouvidos, “O mercado tem uma expectativa de baixa para os preços do petróleo. Há um consenso de que os balanços de oferta e demanda para 2026 indicam excesso de oferta”, disse o responsável pela cobertura de óleo e gás da XP, Régis Cardoso.

O diretor-geral da ANP, Artur Watt, avaliou que “O preço do petróleo já vinha em trajetória de baixa. Mas é normal que as notícias tragam oscilações”, indicando que o sobe e desce depende mais de notícias do que de mudança estrutural imediata na oferta.

Impacto no Brasil, inflação e receitas públicas

Para o Brasil, preços internacionais mais baixos trazem dois efeitos claros. Por um lado, ajudam a conter a inflação ao reduzir pressão sobre gasolina e diesel.

Por outro lado, reduzem a arrecadação que depende do petróleo, afetando royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras, com consequência para as contas públicas.

A própria Petrobras anunciou que, no fim de janeiro, reduziu R$ 0,14 no preço médio da gasolina A, após três meses sem alterações, e afirma que os preços praticados pela empresa representam apenas um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.

Sobre a possibilidade de os EUA administrarem vendas venezuelanas, especialistas lembram que a produção do país é mais pesada e exige tecnologia para processamento. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, disse, “Algumas refinarias conseguem processar, mas isso exige tecnologia e conhecimento técnico. E essa é uma capacidade que a Venezuela hoje não tem”.

Estudos citados indicam que seriam necessários cerca de dois anos para iniciar projetos de retomada da produção na Venezuela e pelo menos oito anos para recuperar níveis passados, quando o país chegou a produzir mais de 3 milhões de barris por dia nos anos 1970.

O que monitorar nos próximos meses

O mercado seguirá atento a três vetores principais: evolução das negociações entre Irã e EUA, decisões sobre a venda e produção venezuelana, e a continuidade do excesso de oferta global.

Se a oferta permanecer elevada, a tendência é que o preço do petróleo se mantenha em patamar moderado, entre US$ 60 e US$ 65 neste ano, com impactos distintos para consumidores e para as finanças públicas brasileiras.