Premiê da Austrália Vaiado em Homenagem às Vítimas do Ataque em Sydney; País Vive Dia Nacional de Reflexão
Premiê da Austrália é vaiado em homenagem a vítimas de ataque em Sydney; país vive dia nacional de reflexão
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, foi vaiado por parte da multidão reunida na praia de Bondi Beach, em Sydney, durante uma cerimônia em homenagem às vítimas do ataque a tiros que ocorreu há uma semana. O incidente ocorreu em um dia dedicado à reflexão nacional em memória das 15 pessoas mortas e dezenas de feridas no atentado, cometido por dois homens armados.
Conforme informação divulgada pelo G1, o evento contou com um minuto de silêncio às 18h47 (4h47 no Brasil), horário em que os disparos começaram. Bandeiras foram colocadas a meio mastro em prédios públicos e a programação de emissoras de rádio e televisão foi interrompida.
Milhares de pessoas participaram da cerimônia, que teve um forte esquema de segurança. Policiais fortemente armados, atiradores de elite posicionados em telhados e embarcações da polícia no mar garantiram a segurança do local.
Albanese é vaiado em momento de homenagem às vítimas
Anthony Albanese, sentado na primeira fila e usando um quipá, tradicional adereço judaico, foi vaiado ao chegar ao local e novamente quando seu nome foi citado por um dos oradores. O premiê não tinha previsão de discurso e tem enfrentado críticas de que seu governo de centro-esquerda não agiu o suficiente para conter o aumento do antissemitismo desde o início da guerra em Gaza.
O atentado terrorista teve como alvo um evento do festival judaico de Hanukkah à beira-mar. O ataque chocou o país e expôs falhas no processo de concessão de licenças para armas e no compartilhamento de informações entre agências. A polícia investiga o caso como um atentado terrorista antissemita, com suspeita de inspiração no grupo extremista Estado Islâmico.
Governo anuncia medidas de segurança e controle de armas
Em resposta ao ataque em Bondi, Albanese anunciou uma ampla revisão das agências de segurança pública e de inteligência do país. A análise, que será liderada por um ex-chefe da espionagem australiana, avaliará se as forças de segurança possuem os “poderes, estruturas e mecanismos adequados” para proteger a população.
Além disso, o governo prometeu uma ofensiva generalizada para erradicar “o mal do antissemitismo da nossa sociedade”. As medidas incluem novas competências para perseguir pregadores extremistas e negar ou cancelar vistos de pessoas que propagam “o ódio e a divisão”. O premiê também anunciou um programa nacional de recompra de armas, visando reduzir a circulação de armamentos no país.
Sobreviventes e autoridades clamam por união e esperança
David Ossip, presidente do Conselho Judaico de Deputados de Nova Gales do Sul, abriu a cerimônia com palavras de reflexão: “Perdemos nossa inocência. A semana passada nos roubou isso. Assim como a grama de Bondi foi manchada de sangue, nossa nação também foi. Mas o Hanukkah nos ensina que a luz pode iluminar até os lugares mais sombrios”.
A sobrevivente Chaya Dadon, de 14 anos, foi aplaudida ao afirmar: “Estamos nos fortalecendo como nação. Às vezes, crescer dói, mas a vida continua — e precisamos vivê-la da melhor forma possível”. O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, também foi bem recebido ao declarar que o ataque teve como objetivo intimidar e espalhar medo, mas que a comunidade recuperou a praia de Bondi.
Revisão de segurança e combate ao antissemitismo são prioridades
O governo australiano tem reiterado sua condenação a atos antissemitas e aprovado leis para criminalizar o discurso de ódio. A expulsão do embaixador do Irã, acusado de envolvimento em ataques incendiários contra alvos judaicos, também foi destacada como uma medida de combate ao extremismo.
Especialistas, no entanto, apontam que, apesar das leis rigorosas de controle de armas, o país ainda apresenta brechas que precisam ser endereçadas para prevenir futuros ataques. O reforço do policiamento em todo o país visa prevenir novos episódios de violência.