Protetor solar para frutas e robô com IA da Embrapa ganham destaque na 12ª Coplacampo em Piracicaba, soluções prometem reduzir perdas e mapear pomares
Na feira com 170 expositores e expectativa de movimentar R$ 500 milhões, produto líquido para proteger frutas do calor e robô autônomo que georreferencia frutos atraem visitantes
Uma solução que age como um protetor solar para frutas e um equipamento autônomo que usa inteligência artificial para contar frutos foram destaques na abertura da 12ª Coplacampo, em Piracicaba.
As tecnologias, apresentadas ao público nesta segunda, prometem ajudar produtores a reduzir perdas provocadas por calor e a planejar a colheita com mais precisão.
Detalhes das inovações foram demonstrados aos visitantes durante o evento, com testes em pomares de maçã e uva e produtos desenvolvidos por empresas locais, conforme informação divulgada pelo g1.
Protetor solar para frutas, conceito e benefícios
O produto, comercializado em líquido e criado por uma empresa de Vinhedo (SP), forma uma camada protetora sobre a fruta, semelhante ao uso de protetor solar em humanos.
Segundo a sócia-fundadora da empresa, Tânia Zen, “Como ele cria essa camada branca, ele ajuda a repelir algumas pragas voadoras que são atraídas pela massa verde. Então, ele também tem os efeitos adjacentes, mas como proteção solar, o grande objetivo desse produto é evitar a perda de produtividade”.
Tânia também ressaltou a aplicabilidade da tecnologia em diferentes fases da planta, afirmando que “Com as temperaturas aumentando em diferentes regiões, ele é uma tecnologia que pode ser usada de forma muito ampla”.
Robô autônomo da Embrapa, como funciona
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, levou à Coplacampo um robô em fase de testes que percorre linhas de cultivo para identificar e quantificar frutos.
Durante a demonstração, pesquisadores controlaram o equipamento manualmente, mas a meta é a autonomia total do robô, seguindo trajetos pré-definidos dentro do pomar.
Como explica o pesquisador Thiago Santos, “Da mesma forma em que hoje a gente desenha um circuito para os drones fazerem a cobertura do talhão, a ideia é que o robô faça a mesma coisa, execute sozinho um trajeto dentro do pomar e traga as imagens”.
O sistema usa câmeras e GPS para mapear cada fruto com precisão centimétrica, nas palavras do pesquisador, “Há câmeras voltadas para cada lado do corredor, então a gente consegue pegar frutos dos dois lados, e o software de Inteligência artificial vai quantificando as frutas e com o GPS vai georreferenciando a posição, com precisão de centímetros da localização de cada fruto no talhão”.
Impacto prático e perspectivas para produtores
Com os dados gerados, é possível não só estimar a colheita, como também identificar áreas do talhão com maior ou menor produção e orientar intervenções de agricultura de precisão.
Em palavras de Santos, “Com isso, a gente consegue não só fazer uma estimativa de colheita, mas conseguimos geoespacializar, mostrar no talhão onde há áreas com maior número de frutos e os agricultores que vão usar, por exemplo, práticas de agricultura de precisão podem revisitar o seu talhão e tomar as medidas necessárias para melhorar a produção”.
O evento reúne 170 expositores e, segundo os organizadores, projeta movimentar R$ 500 milhões em inovações para o agronegócio até o fim da feira.
O que vem a seguir
Algumas soluções ainda estão em teste, e os próximos passos incluem validação em diferentes condições climáticas e escalonamento comercial. Produtores interessados podem acompanhar novas demonstrações e buscar informações durante os dias da Coplacampo.