Reag Investimentos, liquidação extrajudicial pelo Banco Central após apurações da PF, saída do fundador João Carlos Mansur e controle hoje pela Arandu Partners

Banco Central decretou a liquidação da CBSF DTVM, ex-Reag Trust, após apurações da Polícia Federal, e a Arandu Partners assumiu o controle de cerca de 87,38% da gestora

O Banco Central determinou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, responsável pela administração de fundos do grupo.

A decisão ocorre em meio a investigações da Polícia Federal que levaram à saída do fundador e então presidente do conselho, João Carlos Falbo Mansur, e à venda do controle da gestora para a Arandu Partners.

Os detalhes sobre a liquidação, a transferência de controle e os efeitos para cotistas e fundos foram divulgados na imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

O desmonte da Reag e a saída do fundador

Em setembro do ano passado, o grupo iniciou mudanças profundas, quando o fundador João Carlos Falbo Mansur formalizou sua saída da administração, em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal.

Com a megainvestigação no setor de combustíveis chamada Operação Carbono Oculto, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa, e em outubro de 2025 teve o registro cancelado na Comissão de Valores Mobiliários, tornando-se empresa de capital fechado.

Na mesma fase houve mandados de busca e apreensão, a renúncia de executivos, e afirmações da PF de que a gestora teria sido usada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos, segundo as investigações citadas pela imprensa.

Venda do controle, quem controla hoje e valores envolvidos

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., que passou a deter cerca de 87,38% do capital da companhia.

A transação foi estimada em R$ 100 milhões e envolveu participações que pertenciam à Reag Asset Management Ltda. e ao Reag Alpha Fundo de Investimento em Ações, partes do antigo Grupo Reag.

Desde dezembro de 2025, a gestora passou a negociar na bolsa brasileira sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3, e a Arandu Partners assumiu formalmente o controle operacional da empresa.

Efeitos da liquidação da CBSF DTVM para cotistas e fundos

O Banco Central afirmou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”, citação divulgada pela imprensa.

Segundo avaliações jurídicas citadas na cobertura, os recursos dos fundos administrados pela DTVM permanecem segregados, o que protege os cotistas contra o risco direto de credores da administradora acessarem o patrimônio dos fundos.

Como explicou o advogado Adilson Bolico, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, conforme divulgado pelo g1.

Bolico adicionou que, por enquanto, o liquidante nomeado pelo Banco Central deve convocar assembleia para transferir fundos a outra administradora, e que “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”, conforme reportagem do g1.

O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, indicando que a situação não deve contaminar outras instituições nem provocar crise de crédito generalizada.

Ligação com o Banco Master e outras apurações

A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, e onde a gestora aparece como parceira em estruturas de fundos e operações consideradas atípicas.

As investigações buscam apurar se mecanismos envolvendo circulação de recursos entre fundos e o banco teriam sido usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao Banco Master, e Mansur foi um dos alvos de buscas nessa operação.

Além disso, a Reag é citada na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis, e na qual a empresa aparece como prestadora de serviços a fundos apontados pela Receita Federal como usados para ocultação de patrimônio da organização.

Com a liquidação da CBSF DTVM, a supervisão do processo ficará a cargo do Banco Central e do liquidante nomeado, enquanto a Arandu Partners mantém o controle societário da Reag Investimentos, e investidores e autoridades seguem acompanhando o desdobrar das apurações e eventuais desinvestimentos.