Rombo das estatais federais pressiona contas, atinge R$ 6,3 bilhões no ano e revela impacto da crise dos Correios, investimentos e novos empréstimos
Entenda como o rombo das estatais federais reflete investimentos, dívidas e o pedido de R$ 8 bilhões para 2026, além da comparação com anos anteriores
O acumulado do ano das empresas estatais federais mostra um rombo recorde que elevou a preocupação sobre as contas públicas e a gestão dos ativos públicos.
A alta do déficit é atribuída, em parte, ao aumento dos investimentos das estatais, e empresas em dificuldades, como os Correios, pressionaram ainda mais o resultado.
Os números e declarações sobre necessidade de novos recursos e empréstimos apontam para um cenário que exigirá decisões sobre aportes do Tesouro e reestruturação de dívidas, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o rombo das estatais federais subiu
O governo tem afirmado que o aumento desse déficit é explicado, em parte, pelo aumento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais, o que eleva gastos no curto prazo, mesmo quando visam resultados de longo prazo.
A comparação começou em 2009, quando o cálculo mudou para desconsiderar grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras, porque elas têm regras diferenciadas e se assemelham a empresas privadas de capital aberto.
Além dos investimentos, oscilações no volume de receitas e encargos financeiros, bem como empresas em crise, contribuem para a deterioração do saldo consolidado das estatais.
Os números e a trajetória recente
No acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões. No mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões.
Em contraste, já em 2022 e 2021, por exemplo, o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente, o que mostra mudança brusca em um curto espaço de tempo.
Os dados evidenciam a volatilidade do resultado fiscal das empresas estatais e apontam para pressões adicionais sobre o orçamento, principalmente quando há necessidade de socorro financeiro.
Crise dos Correios e pedido de recursos
Nesta segunda-feira (29), o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira, e disse que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida.
Segundo a empresa, a captação poderá se dar por meio de aportes públicos do Tesouro Nacional ou por um novo empréstimo. Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa.
A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.
O que muda e possíveis caminhos
Com o rombo das estatais federais maior neste ano, o governo e gestores das empresas enfrentam escolhas entre aportes públicos, reestruturação de dívidas e cortes ou adiamento de investimentos.
Se os aportes vierem do Tesouro, haverá impacto direto nas contas públicas, e se a solução for mais endividamento, os custos financeiros poderão crescer conforme as condições do mercado.
Analistas apontam que maior transparência na divulgação dos resultados e planos de recuperação das estatais, especialmente das que mais pesam no déficit, será fundamental para reduzir incertezas.