Rota Mogiana vai a leilão, 520 km por 30 anos, R$ 9,4 bi em obras, pedágio free flow e até 29% de redução nas tarifas, veja trechos e impactos
Leilão da Rota Mogiana ocorre na B3, com quatro grupos concorrendo para administrar 520 km por 30 anos, prometendo duplicações, marginais e pedágio proporcional
A concessão da Rota Mogiana será definida em sessão pública na Bolsa de Valores de São Paulo, prevista para começar às 14h, e vai escolher a empresa que ficará responsável por 520 quilômetros de rodovias estaduais por 30 anos.
O projeto prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos voltados para duplicações, adição de faixas, implantação de vias marginais e do sistema de cobrança por free flow, no qual o usuário paga apenas pelo trecho percorrido.
Quatro grupos apresentaram propostas para a concessão, e a vencedora será a que oferecer o maior valor ao governo, com a expectativa de reduções iniciais nas tarifas de até 29% em alguns pontos, conforme informação divulgada pelo g1.
O que está em jogo
A concessão da Rota Mogiana reúne trechos que atravessam 22 municípios paulistas, inclusive nove da região de Campinas, e tem impacto estimado em cerca de 2,3 milhões de pessoas.
Entre as cidades afetadas estão Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.
A concessionária vencedora ficará responsável por obras, manutenção e operação do pedágio, sob fiscalização da agência reguladora estadual, com meta de ampliar capacidade e reduzir gargalos.
Trechos e obras previstas
O pacote inclui mais de 217 quilômetros de duplicações, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas, 129 dispositivos de interseção e a implementação do Sistema Automático Livre, o free flow.
Algumas rodovias contempladas são a SP-107, SP-215, SP-333, SP-338, SP-340, SP-342, SP-344 e SP-350, combinando trechos que hoje estão sob gestão do Estado e segmentos que já são administrados por empresas privadas.
Ao unificar os trechos no mesmo contrato, a intenção é padronizar obras e cobranças ao longo de todo o corredor, substituindo praças físicas por pórticos de leitura eletrônica.
Pedágio free flow e impacto econômico
O governo do estado afirma que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e 20% em Espírito Santo do Pinhal, e com cobrança proporcional pelo sistema free flow.
Especialistas apontam que, apesar da queda inicial nas tarifas, o modelo implica custos ao usuário ao longo do contrato de 30 anos, porque a manutenção e as futuras obras permanecem vinculadas ao uso da rodovia.
Sobre segurança, o governo destacou em nota que, “De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa”, atribuindo esses resultados a intervenções como duplicações, melhorias geométricas, sinalização e atendimento ao usuário.
O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, ressalta que duplicações tendem a reduzir engarrafamentos e mudar o perfil de acidentes. Em suas palavras, “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”, explica o professor.
Ele também alerta para desafios do free flow, citando que parte dos motoristas ainda resiste ao sistema automático, o que pode gerar inadimplência e necessidade de adaptação do usuário.
Quem participa e como será o leilão
Quatro grupos entregaram envelopes com propostas, segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos: Motiva, ex-CCR, MC Brazil Concessões Rodoviárias, do fundo Mubadala, EPR Participações, e o Consórcio Rota Mogiana, liderado por Azevedo e Travassos.
O leilão será na B3, e vence a proposta que oferecer o maior valor ao governo pelo direito de administrar a Rota Mogiana. A concessionária vencedora terá 30 anos para executar o plano de obras e a operação do sistema de cobrança eletrônica, sob supervisão da Artesp.
Entre os pontos de atenção para quem usa as vias estão a adaptação ao pagamento proporcional do free flow, a fiscalização da leitura eletrônica e a possibilidade de cobrança diferenciada para veículos com reboque e semirreboque.
O certame e os detalhes contratuais devem ser acompanhados de perto por prefeituras e usuários nas cidades da região, que terão intervenções de grande escala na malha rodoviária.
Conforme informação divulgada pelo g1.