Rússia diz que monitora plano dos EUA para construir Domo de Ouro na Groenlândia, projeto de US$ 175 bilhões preocupa Kremlin e amplia disputa estratégica

Projeto do Domo de Ouro prevê satélites de vigilância e ataque, quatro camadas de defesa e bases na Groenlândia para interceptar mísseis, segundo informações divulgadas

O Kremlin afirmou que as Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto americano conhecido como Domo de Ouro, e avaliam seus objetivos e alcance, em um cenário que aumenta as tensões estratégicas no Ártico.

O plano, anunciado pelo governo republicano em maio de 2025, está avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e voltou a ser citado publicamente pelo presidente americano em 14 de janeiro, enquanto a pressão de Washington sobre a Groenlândia se intensifica.

O presidente afirmou que a ilha é “vital” para a construção do sistema, que combina sensores espaciais e intercepções terrestres, conforme informação divulgada pelo g1.

O que é o Domo de Ouro e por que preocupa a Rússia

O chamado Golden Dome, ou Domo de Ouro, é um projeto do Pentágono inspirado no sistema israelense Domo de Ferro, concebido para detectar e neutralizar ataques de mísseis em várias fases.

O objetivo declarado pelo governo americano inclui proteção contra ameaças balísticas, hipersônicas e de cruzeiro, e a administração estabeleceu a meta de concluir o projeto até 2029, depois de um decreto assinado em janeiro de 2025.

Segundo as informações divulgadas, as Forças Armadas russas monitoram o desenvolvimento para avaliar alcance e intenções, e o Kremlin tem destacado a importância estratégica da Groenlândia para o posicionamento do sistema.

Como o sistema funcionaria na prática

O Domo de Ouro foi concebido para detectar e parar mísseis em todos os quatro estágios principais de um possível ataque, detectá-los e destruí-los antes do lançamento;interceptá-los no estágio inicial do voo;pará-los no meio do caminho no ar;detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo.

O projeto prevê quatro camadas, com uma baseada no espaço para alerta e rastreamento, e três camadas em terra compostas por interceptadores, radares e, possivelmente, lasers.

Entre os elementos citados estão 11 baterias de curto alcance nos Estados Unidos continentais, Alasca e Havaí, um novo foco em interceptadores de última geração chamados NGI, e o uso combinado de sistemas como THAAD e Patriot.

Por que a Groenlândia é vista como essencial

A Groenlândia ocupa posição estratégica entre os Estados Unidos e a Rússia, e oferece uma rota curta para possíveis trajetórias de mísseis intercontinentais vindos do hemisfério norte.

Os EUA mantinham cerca de 10 mil militares na ilha durante o auge da Guerra Fria, e hoje contam com menos de 200 naquela região, um declínio que motiva planos para reforçar a presença com radares e bases.

A localização também é importante por causa da lacuna GIUK, um corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, e pela abertura de novas rotas de navegação no Ártico decorrentes do derretimento do gelo.

Etapas do projeto e implicações geopolíticas

Em agosto, o Pentágono apresentou o projeto a cerca de 3 mil empreiteiros em Huntsville, no Alabama, afirmando que estava em estágio inicial e buscando informações para os próximos passos, segundo documentos acessados pela Reuters.

O plano inclui a criação de uma terceira base de lançamento no Centro-Oeste dos EUA para abrigar interceptadores NGI, além das atuais bases GMD na Califórnia e no Alasca, com a ambição de neutralizar ameaças já na chamada fase de impulso.

Analistas consultados pelos meios americanos ressaltam que o interesse em acessar a Groenlândia alia motivos militares e econômicos, devido a reservas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras essenciais para tecnologias modernas.

A menção e o monitoramento do projeto pelo Kremlin refletem a preocupação com um redesenho das capacidades de defesa dos EUA no Ártico, e com os impactos sobre o equilíbrio estratégico entre grandes potências na região.