Tensão entre EUA e Irã pode fortalecer o dólar, pressionar o preço do petróleo até US$ 80 e abalar bolsas, entenda os riscos para energia, inflação e mercados

Na tensão entre EUA e Irã, com movimentação de porta-aviões e ameaças, investidores buscam proteção no dólar, avaliam risco de bloqueio do Estreito de Ormuz e impactos no preço do petróleo

O aumento das tensões entre EUA e Irã já está sendo precificado por agentes do mercado financeiro, que avaliam efeitos sobre câmbio, energia e bolsas.

Em cenário de risco geopolítico, o fluxo para ativos considerados seguros tende a valorizar a moeda americana e reduzir a apetência por ativos de risco.

Conforme informação divulgada pelo g1, especialistas apontam que, embora um conflito prolongado não seja o cenário mais provável, a possibilidade de intervenção militar dos EUA não está descartada.

Fortalecimento do dólar

Em momentos de conflito, investidores costumam migrar de ações e ativos mais arriscados para moedas e títulos considerados mais seguros, com destaque para o dólar.

O estrategista-chefe da Avenue, William Alves, resume esse movimento, “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, segundo relatos ao g1.

Além disso, o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, pode aumentar a pressão compradora sobre o dólar, por causar aversão a risco global.

Alta nos preços do petróleo

O Irã é um dos maiores produtores do mundo e integra a Opep, por isso qualquer ameaça à sua produção pode repercutir nos preços internacionais do petróleo.

Como explica o analista da Genial Investimentos, Vitor Souza, “Sempre que há tensão entre países produtores de petróleo, o mercado começa a considerar o risco de danos às estruturas de produção”, informação publicada pelo g1.

Analistas consultados pelo g1 colocam cenários de elevação do barril, afirmando que uma interrupção no tráfego ou danos à infraestrutura iraniana podem pressionar o preço para faixas mais altas, “pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70”, segundo Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora.

Risco de queda nas bolsas e efeitos na economia

Com menor disposição a assumir riscos, investidores tendem a reduzir exposição a ações e ativos em países emergentes, o que pode provocar quedas nas bolsas globais.

William Alves aponta que ativos de risco reagem mal a choques geopolíticos, especialmente se houver alta do petróleo e elevação do dólar e das taxas de juros, condicionando revisões de lucro e avaliações setoriais.

Ao mesmo tempo, há quem destaque limites para um choque severo no curto prazo, como lembra o analista da Suno Research, Malek Zein, “Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”.

Cenários prováveis e fatores que podem conter impactos

Especialistas ouvidos pelo g1 entendem que um conflito prolongado não é o cenário mais provável, ainda que a intervenção militar dos EUA não esteja descartada.

Fatores como excesso de oferta global de petróleo e restrições pré-existentes às vendas iranianas podem moderar pressões de preço no curto prazo, mesmo com picos momentâneos decorrentes de ações ou retaliações.

No fim, a intensidade e a duração do confronto, a possibilidade de ataques a instalações de energia e a capacidade de manutenção das rotas comerciais serão determinantes para o grau de impacto sobre o dólar, o petróleo e as bolsas mundiais.