Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% se Ottawa selar acordo comercial com China, e Carney aposta em redução de barreiras para canola e entrada de carros elétricos
Presidente americano avisa que aplicará tarifa de 100% a bens canadenses se acordo com a China for fechado, enquanto o Canadá busca destravar cerca de US$ 3 bilhões em exportações agrícolas
O presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar medidas comerciais duras contra o Canadá, em resposta ao avanço de um acordo bilateral entre Ottawa e Pequim.
A proposta canadense prevê redução de tarifas sobre produtos agrícolas e maior abertura ao fluxo de veículos elétricos chineses, medidas que reacenderam tensões com Washington.
conforme informação divulgada pelo g1.
Ameaça de Trump e mensagem direta
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que, caso o Canadá finalize um acordo com a China, aplicará tarifas de 100% sobre os bens canadenses importados pelos Estados Unidos.
O presidente escreveu, no texto citado, que “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
Ele também dirigiu a crítica ao primeiro-ministro Mark Carney, ao afirmar que, se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”.
O que prevê o acordo entre Canadá e China
O governo de Mark Carney anunciou em Pequim uma nova parceria estratégica com a China, na primeira visita de um líder canadense ao país em oito anos.
Como parte do entendimento, o Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1%, na condição de nação mais favorecida, segundo as informações divulgadas.
Essa medida representa uma flexibilização em relação à tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024, e a cota prometida deve aumentar gradualmente, “chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos”, afirmou Carney.
Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá, número citado nas conversas sobre a abertura do mercado.
Impacto comercial e retaliações anteriores
O acordo busca também reduzir barreiras sobre produtos agrícolas canadenses. O Canadá espera que a China reduza as tarifas sobre sementes de canola até 1º de março, “para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%”, conforme informado.
Em resposta às tarifas aplicadas por Ottawa, Pequim havia imposto tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, incluindo óleo e farinha de canola, além de medidas sobre sementes de canola adotadas em agosto.
Essas medidas levaram a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025, segundo os dados citados no relatório.
O novo acordo, segundo o governo canadense, deve remover medidas antidiscriminatórias sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas a partir de 1º de março até pelo menos o final do ano, e, com isso, “destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação” para agricultores, pescadores e processadores do Canadá.
O Ministério do Comércio da China disse que está ajustando medidas antidumping sobre canola, bem como medidas antidiscriminatórias sobre alguns produtos agrícolas e aquáticos canadenses, em reação à redução das tarifas do Canadá para veículos elétricos.
Reações internas e próximos passos
No Canadá, a decisão de abrir o mercado a carros elétricos chineses encontrou críticas, incluindo do primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, que afirmou que o acordo convida a “uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia”.
Antes da declaração de ameaça de tarifas, Trump havia demonstrado uma mensagem de apoio a Carney, ao dizer, em entrevista na Casa Branca, “É isso que ele deveria estar fazendo. É bom que ele assine um acordo comercial. Se você conseguir um acordo com a China, deve fazer isso”.
Analistas apontam que a tensão entre Washington e Ottawa pode influenciar a revisão esperada do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, e que os próximos dias serão decisivos para definir se as negociações entre Canadá e China avançam sem provocar retaliações maiores dos EUA.