Trump diz que os EUA vão negociar o petróleo da Venezuela, refinariam até 50 milhões de barris e controlariam receitas, China ‘pode comprar quanto quiser’
Presidente afirma que empresas interessadas no petróleo da Venezuela terão de negociar diretamente com os EUA, receitas serão depositadas em contas controladas pelos EUA, vendas começam ‘imediatamente’
O presidente dos Estados Unidos disse a executivos do setor de energia que o país vai intermediar e comercializar o petróleo que esteve retido na Venezuela.
Segundo a declaração, os recursos obtidos com as vendas serão geridos por contas sob controle americano, e parte do produto poderá ser refinado e revendido no mercado internacional.
Todas as informações deste texto estão baseadas em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1
O que foi anunciado
Durante reunião com altos funcionários do governo e executivos de grandes petroleiras, o presidente afirmou que, segundo sua versão, os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com Caracas.
Ele também declarou, em comentário citado pela reportagem, “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela“, reforçando que países e empresas interessados terão de negociar diretamente com os EUA.
Como serão tratados os recursos
O Departamento de Energia dos EUA informou que já começou a comercializar o petróleo venezuelano, e que “toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente“.
O próprio órgão acrescentou que “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”.
Segundo a declaração oficial, os depósitos em contas controladas pelos EUA visam “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão usados “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Reações e contexto internacional
A reportagem lembra que a China tem sido o principal comprador do petróleo venezuelano, com participação que chegou a 68% das exportações após sanções americanas impostas em 2019, e que a tentativa de redirecionar vendas para o mercado dos EUA representa um movimento geopolítico relevante.
A estatal PDVSA, segundo o relato, citou avanço nas negociações com os EUA, e afirmou que as partes discutem termos semelhantes aos praticados com parceiros estrangeiros, “como a petroleira americana Chevron”.
Contexto militar e riscos
As declarações ocorreram dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e na morte de militares locais e cubanos, “Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação”, informou a reportagem.
O governo dos EUA disse que o petróleo será vendido a preço de mercado, que o transporte seria feito por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais nos EUA, e que as vendas começam “imediatamente”, sem prazo definido.
Especialistas ouvidos em reportagens correlatas apontam que a operação tem potencial para desviar volumes que vinham para a China, impactar fluxos comerciais e criar resistência política e jurídica internacional, além de afetar a já fragilizada indústria energética venezuelana.