Trump versus Powell, investigação do DOJ e indicação de Kevin Warsh, cronologia das críticas do presidente aos juros e o confronto pela liderança do Federal Reserve
Cronologia detalhada da disputa entre Trump e Powell, dos ataques públicos por manter as taxas, até a investigação do DOJ e a indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed
O relacionamento entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, se transformou em uma disputa pública e contínua sobre a política monetária dos Estados Unidos.
Desde 2025, Trump pressiona por cortes agressivos nas taxas de juros, enquanto Powell destaca a independência do Fed e a prioridade de controlar a inflação.
Nos episódios mais recentes, o conflito incluiu ataques nas redes sociais, audiências no Congresso e uma investigação criminal do Departamento de Justiça contra Powell, conforme informação divulgada pelo g1.
Pressões iniciais e encontros em 2025
No primeiro semestre de 2025, a tensão começou com críticas públicas de Trump à decisão do Fed de manter os juros estáveis, e com declarações como, “muito melhor se cortasse as taxas” sugerindo que reduções abruptas ajudariam a economia.
Em abril, no chamado “Dia da Libertação”, Trump reiterou que juros menores seriam úteis diante de novas tarifas de importação, e em maio ele teve o primeiro encontro presencial com Powell na Casa Branca, onde disse que o presidente do Fed cometia um “erro” ao não reduzir os juros.
Powell respondeu enfatizando que as decisões de política monetária dependem apenas de dados econômicos, e reafirmou que o banco central age, “conforme determina a lei… isento de influência política”.
Escalada verbal ao longo de 2025
Ao longo do segundo semestre de 2025, as críticas de Trump ficaram mais duras e pessoais. Em junho ele chamou Powell de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele.
Em julho, voltou a atacar com termos como “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”. Em outubro e novembro a Casa Branca continuou a classificar Powell com termos depreciativos, e Trump chegou a dizer que ele deixaria o cargo em poucos meses.
Powell, em audiência no Congresso, manteve postura técnica, afirmando que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária, evitando entrar no nível pessoal dos ataques.
Investigação do DOJ e episódios de janeiro de 2026
O confronto alcançou novo patamar em janeiro de 2026, quando o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal contra Powell por suposta má administração e por mentiras ao Congresso sobre reformas em prédios do Fed.
Em 11 de janeiro, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
Powell reagiu em vídeo, acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política, e afirmou que, “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Manutenção de juros, novas acusações e indicação de sucessor
Em 29 de janeiro de 2026, após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump voltou a atacar, chamando Powell de “idiota” e afirmando que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, e que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
No dia seguinte, 30 de janeiro, Trump anunciou que indicaria um sucessor para o mandato de Powell, que termina em maio, com o economista Kevin Warsh como principal cotado para presidir o Federal Reserve.
O nome de Warsh intensifica a disputa política em torno do banco central, porque a troca na presidência do Fed pode alterar tanto a percepção de independência da instituição, quanto o rumo da política de juros nos próximos meses.
Enquanto a batalha entre Trump versus Powell segue pública e acirrada, o mercado e a política se mantêm atentos aos próximos passos do governo, do Congresso e da própria Justiça, que juntos vão decidir os limites da pressão política sobre o banco central.