Vorcaro admite à PF que Banco Master teve problemas de liquidez, dependência do FGC como modelo de negócio, aporte de quase R$ 6 bilhões e venda técnica ao BRB

Relatório de Vorcaro diz que pressão por liquidez ocorreu após comunicações do BC, que Master chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês e que modelo evoluiu para depender do FGC

No depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentou problemas de liquidez e que houve pressão sobre o caixa após relatórios e comunicações do Banco Central.

Ele afirmou que a operação precisou reduzir o ritmo de originação para preservar liquidez, e que a estratégia do banco passou a depender, de forma mais intensa, de mecanismos de garantia e de terceiros.

As explicações sobre a origem da crise, as medidas adotadas e o impacto sobre investidores e correntistas constam do depoimento e de documentos relacionados ao processo de liquidação do banco, conforme informação divulgada pelo g1

Origem e evolução do modelo de negócio

No relato à PF, Vorcaro disse que o banco, em um dado momento, “chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês“, mas precisou reduzir esse volume para garantir liquidez.

Ele descreveu que, com o tempo, “o modelo de negócios do Master evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e suporte do FGC“, incluindo foco em crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário, e uso de originadores terceirizados para ampliar operações.

Segundo Vorcaro, uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024 acelerou a montagem de um plano de ação para tentar conter a pressão sobre o banco.

Aporte pessoal e tentativa de solução técnica

O dono do banco informou que fez aportes significativos para tentar estabilizar a instituição, e que, pessoalmente, “aportou quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal” para sustentar o modelo durante a crise.

Ele também declarou que a venda do Master ao BRB “foi construída tecnicamente dentro do BC”, indicando que houve esforço de alinhamento com autoridades regulatórias para buscar uma solução institucional.

Mesmo com aportes e negociações, a combinação de retração de originação, pressão regulatória e dependência de garantias tornou a situação insustentável, culminando na intervenção e posterior liquidação.

Ressarcimento do FGC e impacto para credores

Na prática, o Fundo Garantidor de Créditos atua como um seguro privado do sistema financeiro, e começou a atuar no caso do Master para proteger depositantes e investidores.

Conforme informado, “Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ” os correntistas e investidores que tinham recursos no banco.

Até a noite de segunda-feira (19), “Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19)“, segundo os dados divulgados sobre o processo de ressarcimento.

O mecanismo de ressarcimento tem o objetivo de reduzir o impacto imediato sobre pessoas físicas e jurídicas, mas investigações e processos administrativos seguem em curso para apurar responsabilidades e impactos mais amplos no mercado.

O que vem a seguir

Além do ressarcimento emergencial pelo FGC, a investigação da Polícia Federal e análises do Banco Central devem esclarecer em detalhes os mecanismos que levaram à dependência do modelo adotado pelo Master.

O caso levanta debates sobre regulação, supervisão e limites de modelos de negócio que se apoiam em garantias privadas, e deve influenciar decisões futuras sobre fiscalização e proteção a credores no sistema financeiro.