Perdas do BRB podem chegar a R$ 5 bilhões em operações com o Banco Master, afirma diretor do Banco Central, valor supera provisão inicial de R$ 2,6 bilhões

Projeção do Banco Central indica que o BRB terá de ampliar provisões, enquanto investigação mira transações com o Banco Master e prevê ajuste bilionário

O Banco de Brasília, BRB, pode precisar reservar recursos muito maiores do que o inicialmente previsto para cobrir operações originadas no Banco Master.

Um depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal sugere que o ajuste no balanço do BRB pode ultrapassar os valores já solicitados pela autoridade monetária.

Os detalhes do depoimento e das projeções foram divulgados pela agência Reuters e, em seguida, reportados pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.

Quanto pode subir a conta para o BRB

Segundo o relato de Ailton Aquino no depoimento visto pela Reuters, a reserva que o BRB terá de fazer para cobrir operações com o Master pode chegar a R$ 5 bilhões, muito acima do pedido inicial do Banco Central.

O BC havia solicitado que o banco separasse R$ 2,6 bilhões para cobrir eventuais rombos relacionados a operações com o Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial em 18 de novembro.

Motivo das revisões e citações do diretor do BC

No depoimento, Aquino detalhou preocupação com a qualidade dos ativos que o BRB buscou no Master, e afirmou, textualmente, “Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões“.

O diretor também disse que “A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. […] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste“, segundo o depoimento visto pela Reuters.

Contexto da investigação e medidas em curso

O depoimento foi prestado no final de dezembro em um inquérito ligado ao Supremo Tribunal Federal que apura possíveis fraudes nas transações entre o BRB e o Master.

O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, data em que o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em operação da Polícia Federal, e depois liberado com medidas cautelares.

Posição da defesa e do BRB

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que “as carteiras de crédito objeto das tratativas com o BRB foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC”.

Os advogados também disseram que o BRB aprovou a aquisição dos ativos “dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época” e que lamentam divulgação de trechos de depoimento fora de contexto, conforme nota da defesa.

Procurados para comentar, o Banco Central e o BRB não responderam de imediato ao pedido de posicionamento, segundo as apurações iniciais.

O caso segue sob investigação, e as estimativas de provisões poderão ser ajustadas conforme novas informações e auditorias técnicas sejam concluídas.